Concordância verbal | O que é e exemplos
Concordância verbal é a relação estabelecida entre o sujeito e o verbo da sentença no que diz respeito a número e a pessoa do discurso.
Nós pintamos a parede.
Mais de dez alunos faltaram às aulas na segunda-feira.
Foram estes cientistas que ganharam o prêmio.
Vendem-se móveis usados.
A mãe, o pai, a avó, ninguém conseguia fazer a criança dormir.
Dois bilhões de reais foram gastos na reforma das estradas.
Faz dez minutos que o show começou.
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Principais pontos
- Definição: a concordância verbal é a relação gramatical que se estabelece entre o verbo e o sujeito de uma oração.
- Regra geral: o verbo concorda com o sujeito em número (singular ou plural) e em pessoa (1ª, 2ª ou 3ª), sendo essa flexão determinada diretamente pelo núcleo do sujeito.
- Casos e exceções: o artigo explora desde as aplicações básicas em sujeitos simples e compostos até as regras específicas para pronomes, expressões partitivas, numerais, verbos impessoais, etc.
Índice
- O que é concordância verbal
- Concordância com sujeito simples
- Casos particulares de concordância com sujeito simples
- Concordância com sujeito composto
- Casos especiais de concordância com sujeito composto
- Concordância verbal de verbos impessoais
- Concordância verbal: exercícios
- Perguntas frequentes sobre concordância verbal
O que é concordância verbal
Concordância verbal é a relação que se estabelece entre o verbo e o sujeito de uma oração.
Como regra geral, o verbo concorda com o sujeito em número (singular ou plural) e em pessoa (1ª, 2ª ou 3ª).
- Eu escrevi o texto. (1ª pessoa do singular)
- Tu compraste as frutas. (2ª pessoa do singular)
- Helena acordou cedo. (3ª pessoa do singular)
- Lucas e eu estamos cansados. (1ª pessoa do plural)
- Alice e suas irmãs gostaram do filme. (3ª pessoa do plural)
Mas há também casos especiais de concordância, que seguem regras específicas.
Por exemplo:
- Trata-se de uma situação delicada. (Sujeito indeterminado)
- Capitães da Areia foi escrito por Jorge Amado. (Plural aparente)
- A gata com seus filhotes se esconderam atrás da porta. (Núcleos do sujeito ligados por “com”)
- Chegou a carta e a encomenda. (Sujeito posposto)
Núcleo do sujeito
A concordância verbal é estabelecida com o núcleo do sujeito.
O núcleo é o elemento central do sujeito, que determina sua estrutura e seu significado.
- As folhas da árvore caíram.
Nessa sentença, o verbo “caíram” concorda com o sujeito “as folhas da árvore”. O que determina o número e a pessoa do verbo é o núcleo do sujeito, “folhas”, que está no plural e corresponde à 3ª pessoa.
- A opinião dos alunos deve ser levada em consideração.
Já nesse exemplo, o verbo “deve” está conjugado na terceira pessoa do singular porque concorda com o núcleo “opinião” do sujeito “a opinião dos alunos”.
Portanto, se o núcleo estiver no plural, o verbo estará no plural; se o núcleo estiver no singular, o verbo estará no singular.
Concordância com sujeito simples
O sujeito simples é aquele que possui apenas um núcleo.
Então, quando o sujeito é simples, o verbo concorda com esse núcleo em número e pessoa.
Os moradores do bairro protestaram contra a demolição do prédio.
Pedro gosta de suco de laranja.
O telhado foi arrancado pelo vento.
A luz amarela da sala se apagou de repente.
Eles se abraçaram.
As florestas precisam ser preservadas.
Casos particulares de concordância com sujeito simples
Alguns sujeitos apresentam regras específicas de concordância.
| Tipos de sujeito | Tipos de pronome | Expressões plurais | Expressões numéricas |
| Sujeito indeterminado | Pronome indefinido que retoma expressão composta | Plural aparente (nome próprio no plural) | Quantidade aproximada mais número |
| Sujeito oracional | Pronome relativo “que” | Sujeito coletivo | Numerais milhão, bilhão e trilhão |
| Pronome relativo “quem” | Expressão partitiva mais nome ou pronome plural | Numeral fracionário | |
| Pronome de tratamento | Percentual | ||
| Expressão numérica com o verbo “ser” |
Sujeito indeterminado e o pronome se
O sujeito é indeterminado quando ele não é expresso e nem pode ser identificado.
Esse sujeito pode ocorrer com verbos na 3ª pessoa do plural, no infinitivo impessoal ou acompanhados do pronome “se”.
Nesse caso, o pronome “se” é índice de indeterminação do sujeito e ocorre apenas em estruturas de voz ativa, com verbos transitivos indiretos, verbos intransitivos ou verbos de ligação.
- Precisa-se de professores.
Precisam-se de professores.
- Falaram que a aula estava muito boa.
Falouque a aula estava muito boa.
A última sentença só é possível com sujeito determinado, que pode ser identificado pelo contexto.
Por exemplo:
- João chegou em casa animado. Falou que a aula estava muito boa.
A segunda sentença (“Falou que…”) tem sujeito oculto, e não indeterminado, pois pode ser recuperado na sentença anterior (“João”).
Mas não é sempre que a presença do pronome “se” torna o sujeito indeterminado.
Em uma estrutura de voz passiva sintética, “se” é um pronome apassivador, não índice de indeterminação do sujeito.
Por exemplo:
Aluga-se apartamentos.- Alugam-se apartamentos.
- Aluga-se apartamento.
Enquanto apenas os verbos transitivos indiretos, intransitivos e de ligação ocorrem na voz ativa, apenas os verbos transitivos diretos e verbos transitivos diretos e indiretos podem estar na voz passiva.
Como o verbo “alugar” é transitivo direto, “se” é pronome apassivador e a estrutura é de voz passiva sintética. Portanto, o verbo deve concordar com o sujeito.
Sujeito oracional
Quando uma oração inteira ocupa posição de sujeito, o verbo fica na 3ª pessoa do singular.
- Parece que a família ficou preocupada.
- Que o amigo tenha se mudado entristece João.
- Admitir os erros exige coragem.
- Criar os filhos sem rede de apoio esgota quem mora longe.
O sujeito oracional pode ser formado por uma oração subordinada substantiva subjetiva (como os dois primeiros exemplos) ou por uma oração subordinada subjetiva reduzida de infinitivo (como os dois últimos exemplos).
Em ambos os casos, o verbo concorda no singular.
Pronome indefinido que retoma uma expressão composta
Quando o sujeito é um pronome indefinido invariável (“tudo”, “nada”, “ninguém”, etc.) que tem como antecedente uma expressão composta, o verbo fica no singular, concordando com o pronome.
Repouso, chá, remédio, nada aliviava a dor.
Roupas, documentos, móveis, fotos de família, tudo foi perdido no incêndio.
Um colega, um vizinho, um familiar, alguém precisava avisar que ele não estava bem.
Pronome relativo que
Quando o sujeito é o pronome relativo “que”, em geral, o verbo concorda em número e pessoa com o antecedente do pronome.
Somos nós que queremos justiça.
Não foste tu que fizeste a comida.
Conheci o autor que escreveu este livro.
Eu vi as pessoas que saíram correndo.
Caso o antecedente de “que” seja um outro termo que retoma o sujeito, o verbo pode ficar na 3ª pessoa ou concordar com o sujeito.
- Fui eu a pessoa que compôs essa música.
- Fui eu a pessoa que compus essa música.
- Nós somos os homens que querem justiça.
- Nós somos os homens que queremos justiça.
No primeiro par de exemplos, o pronome relativo “que” tem como antecedente “a pessoa”, que, por sua vez, retoma o sujeito “eu”. Nesse caso, o verbo “compor” pode tanto permanecer na 3ª pessoa, como na primeira sentença, quanto concordar com o sujeito “eu”, como na segunda.
O mesmo acontece com os demais exemplos.
Pronome relativo quem
Quando o sujeito é o pronome relativo “quem”, o verbo pode ficar na 3ª pessoa do singular ou concordar com o antecedente do pronome.
- Fui eu quem fez a comida.
- Fui eu quem fiz a comida.
- Eram eles quem fazia a comida.
- Eram eles quem faziam a comida.
Em geral, a concordância com o antecedente é preferida quando se quer colocá-lo em evidência.
Pronome de tratamento
Os pronomes de tratamento podem se referir à 2ª ou à 3ª pessoa do discurso.
Eles se referem à 2ª pessoa (com quem se fala) quando iniciados por “Vossa” e à 3ª pessoa (de quem se fala) quando iniciados por “Sua”.
Entretanto, sempre concordam com o verbo na 3ª pessoa.
- Vossa Excelência deve entregar o projeto de lei hoje cedo.
- Sua Excelência deve entregar o projeto de lei hoje cedo.
- Vossa Senhoria fez um discurso emocionante.
- Sua Senhoria fez um discurso emocionante.
Por isso, embora seja usado como pronome pessoal de 2ª pessoa, preservou a concordância verbal de 3ª pessoa do pronome de tratamento.
Plural aparente (nome próprio no plural)
Se o sujeito for um substantivo próprio no plural (como títulos de obras, nomes de cidades, etc.) e não vier precedido de artigo, o verbo fica no singular. Caso o nome seja acompanhado de artigo no plural, o verbo concorda com o plural.
- Minas Gerais é o berço de muitos escritores brasileiros.
- As Minas Gerais são o berço de muitos escritores brasileiros.
- Estados Unidos invadiu mais um país do Oriente Médio.
- Os Estados Unidos invadiram mais um país do Oriente Médio.
- Vidas Secas retrata a situação de miséria de uma família brasileira.
- As Vidas Secas retratam a situação de miséria de uma família brasileira.
Embora todas essas formas estejam corretas, é mais comum o uso do verbo na forma singular, especialmente com títulos de obras.
Sujeito coletivo
Se o sujeito tiver como núcleo um substantivo coletivo, em geral, o verbo permanece no singular, concordando com o núcleo.
Um bando de pássaros surgiu no céu.
O cardume nadava em perfeita sincronia.
O molho de chaves foi deixado em cima da mesa.
Mas, em alguns casos, o verbo pode concordar no plural para dar ênfase aos elementos individuais que compõem o coletivo. Tanto a concordância no singular quanto no plural estão corretas.
Quando se usa o verbo no singular, a concordância é estritamente gramatical. Quando se usa o plural, há uma concordância ideológica.
A concordância ideológica é uma figura de linguagem chamada silepse.
- Uma multidão de pessoas de todas as cidades invadiu a praça.
- Uma multidão de pessoas de todas as cidades invadiram a praça.
No primeiro exemplo, o verbo “invadir” concorda no singular com o núcleo do sujeito, “multidão”; no segundo, com o substantivo plural “pessoas”.
- A banda não teve tempo de ensaiar, mas vai abrir o festival.
- A banda não teve tempo de ensaiar, mas vão abrir o festival.
Na última sentença, o conjunto de seres denominado pelo coletivo “banda” está subentendido. O verbo concorda com a ideia de plural do coletivo.
Todas essas sentenças estão corretas.
Quando se usa o verbo no singular, a concordância é estritamente gramatical. Quando se usa o plural, há uma concordância ideológica.
A concordância ideológica é uma figura de linguagem chamada silepse.
Expressão partitiva mais nome ou pronome plural
Quando o sujeito é formado por uma expressão partitiva (“parte de”, “o resto de”, “metade de”, etc.) mais um nome ou pronome no plural, o verbo pode ficar no singular ou no plural.
A escolha por usar o singular ou o plural depende da relevância que se quer dar aos núcleos do sujeito:
- Ao optar pelo singular, evidencia-se o conjunto como uma unidade.
- Ao usar o plural, a ênfase é colocada em cada elemento individualmente.
- Metade dos funcionários trabalha em regime híbrido.
- A maioria deles decidiu não se manifestar.
Ressaltar a relevância de cada elemento individualmente (verbo no plural):
- A maioria deles decidiram não se manifestar.
- Metade dos funcionários trabalham em regime híbrido.
Ao usar o verbo no plural, a concordância é ideológica, e não estritamente sintática.
Quantidade aproximada mais número
Quando o sujeito é formado por uma expressão que indica quantidade aproximada (“mais de”, “menos de”, “cerca de”, etc.) mais um número, o verbo concorda com o número. Ou seja, se o número for um, o verbo fica no singular; se for mais de um, vai para o plural.
- Sobrou mais de um real.
Sobrarammais de um real.
- Sobraram cerca de vinte reais.
Sobroucerca de vinte reais.
- Mais de uma pessoa compareceu à manifestação.
- Mais de uma pessoa
compareceramà manifestação.
- Mais de cem mil pessoas compareceram à manifestação.
- Mais de cem mil pessoas
compareceuà manifestação.
Numerais milhão, bilhão e trilhão
Quando o sujeito é formado por “milhão”, “bilhão” ou “trilhão” seguido de um substantivo no plural, a recomendação é que o verbo fique no plural.
134 milhões de reais foram solicitados para a produção do filme.
Meio milhão de espécies estão ameaçadas.
Dois bilhões de pessoas não têm acesso à água potável.
Numeral fracionário
Quando o sujeito é um numeral fracionário, o verbo concorda com o numerador, podendo ficar no singular ou no plural.
Dois terços dos livros da biblioteca são destinados a crianças.
Algumas gramáticas consideram também correta a concordância no plural quando o numerador é um e o substantivo é plural.
Um terço dos livros da biblioteca são destinados a crianças.
Percentual
Quando o sujeito contém uma porcentagem, o verbo concorda com o número expresso na porcentagem.
Apenas 1% das pessoas não soube responder à pesquisa.
A concordância de gênero pode ser feita com o número (sempre masculino) ou com o substantivo, variando em feminino e masculino.
Noventa e duas por cento das entrevistadas afirmaram ter tripla jornada de trabalho.
Expressão numérica com o verbo ser
Quando o verbo “ser” ocorre em uma oração sem sujeito, como verbo impessoal, indicando tempo ou distância, ele concorda com o predicado.
São três horas da manhã.
Entre a casa e o trabalho era apenas 1 km.
Daqui até a fronteira são 200 km.
Quando o verbo “ser” indica data, pode ficar no singular ou no plural, concordando ou não com o predicado.
- É 28 de maio de 2026.
- São 28 de maio de 2026.
O verbo “ser” pode ficar no singular se o sujeito for uma expressão numérica considerada em sua totalidade.
Quinhentos reais é muito caro.
Três colheres já era suficiente.
50 centímetros de tecido é bastante.
Concordância com sujeito composto
O sujeito composto é aquele que possui mais de um núcleo.
Portanto, os verbos que ocorrem em estruturas de sujeito composto ficam, em geral, no plural.
A concordância de pessoa segue a seguinte regra:
- A 1ª pessoa tem prevalência sobre a 2ª e a 3ª.
- A 2ª pessoa tem prevalência sobre a 3ª.
Isso quer dizer que:
- Quando um dos núcleos estiver na 1ª pessoa, o verbo fica na primeira pessoa.
- Quando um dos núcleos estiver na 2ª pessoa e o outro na 3ª, o verbo fica na 2ª pessoa.
- Nos demais casos, o verbo fica na 3ª pessoa.
- Eu e tu assistimos ao filme. (eu + tu = nós)
- Eu e Ana assistimos ao filme. (eu + ela = nós)
Nesses dois primeiros exemplos, um dos núcleos do sujeito é o pronome de 1ª pessoa “eu”; portanto, o verbo concorda na 1ª pessoa.
- Todos [nós] assistimos ao filme.
Nessa sentença, o verbo concorda com o pronome “nós” em elipse.
- Tu e Ana assististes ao filme. (tu + ela = vós)
Já nesse exemplo, um dos núcleos é o pronome de segunda pessoa “tu”, o que leva o verbo também para a 2ª pessoa.
- Maria e Ana assistiram ao filme. (ela + ela = elas)
Nessa sentença, o verbo fica na 3ª pessoa porque os dois núcleos do sujeito estão na 3ª pessoa.
Portanto, em estruturas com sujeito composto em que um dos núcleos está na 2ª pessoa, o verbo fica na 3ª pessoa:
- Tu e Ana assistiram ao filme. (tu + ela = vocês)
- Você e Ana assistiram ao filme. (você + ela = vocês)
Casos especiais de concordância com sujeito composto
Em alguns casos, a concordância de número com o sujeito composto é facultativa, ou seja, pode variar sem alterar o significado da sentença.
| Tipo | Exemplos |
| Sujeito após o verbo | Corriam o menino e a menina pela calçada. Corria o menino e a menina pela calçada. |
| Núcleos em enumeração gradativa | O tédio, o vazio, a apatia preenchiam os seus dias. O tédio, o vazio, a apatia preenchia os seus dias. |
| Núcleos sinônimos ou quase sinônimos | A fadiga e o cansaço dominavam o seu corpo. A fadiga e o cansaço dominava o seu corpo. |
Em outras situações, deixar o verbo no plural, concordando com todos os núcleos do sujeito, ou no singular, concordando com o núcleo mais próximo, implica uma pequena mudança de significado.
As regras de concordância variam de acordo com a estrutura:
- Núcleos ligados por “ou”
- Núcleos ligados por “nem”
- Núcleos ligados por “com”
- Núcleos em estrutura correlativa
- Núcleos no infinitivo impessoal
Núcleos ligados por ou
Quando os núcleos do sujeito são ligados por “ou”, o verbo pode ir para o singular ou para o plural, a depender do significado:
- Quando “ou” tem leitura inclusiva, o verbo vai para o plural.
- Quando “ou” tem leitura distributiva, o verbo fica no singular.
Por exemplo:
- Maria ou Ana vão trazer a sobremesa.
Aqui, ou Maria, ou Ana, ou ambas trarão a sobremesa.
Na mesma sentença, o uso do verbo no singular favorece a leitura distributiva, ou seja, que apenas Maria ou apenas Ana, mas não ambas, trará a sobremesa.
Por exemplo:
- Maria ou Ana vai trazer a sobremesa.
Núcleos ligados por nem
Quando os núcleos do sujeito são ligados por “nem”, a regra geral é usar o verbo no plural.
Nem a inteligência nem a coragem são garantias de sucesso.
Entretanto, é também possível usar o verbo no singular quando o predicado só puder ser atribuído a um dos núcleos do sujeito.
- Nem o Flamengo nem o Palmeiras será campeão brasileiro este ano.
- Nem o Flamengo nem o Palmeiras serão campeões brasileiros este ano.
Núcleos ligados por com
A concordância verbal em sujeitos compostos cujos núcleos são unidos pela preposição “com” depende da relevância que se dá a cada um dos núcleos.
- Caso se atribua a mesma importância aos dois núcleos do sujeito, o verbo fica no plural.
- Caso se dê mais relevância ao primeiro núcleo, o verbo concorda com ele, podendo ficar no singular.
- Eu com minha amiga montamos todos os móveis da sala.
- A professora com a diretoria da escola organizaram a festa de São João.
Nesse tipo de estrutura, a preposição “com” exerce a função da conjunção “e”, juntando os dois núcleos em uma unidade.
Quando o primeiro núcleo tem maior relevância (verbo no singular):
- Pedro, com seus filhos, mudou-se para o interior.
- O pedreiro, com os assistentes, levantou o muro.
Nesse caso, o segundo núcleo do sujeito é reduzido à função de adjunto adverbial. Por isso, em geral, aparece entre vírgulas.
Núcleos em estrutura correlativa
Em geral, se os núcleos do sujeito fizerem parte de uma estrutura correlativa ou de comparação, como “tanto quanto”, “não só, mas também”, etc., o verbo vai para o plural.
Tanto o frio como a chuva dificultaram a viagem.
Não só a teoria mas também a prática são essenciais na formação profissional.
Mas é também possível que o verbo concorde apenas com o primeiro núcleo, no singular, para dar ênfase a esse elemento.
- Não só a teoria, mas também a prática, é essencial na formação profissional.
Nesse caso, o segundo elemento do sujeito fica entre vírgulas, pois passa a ser um aposto.
Núcleos no infinitivo impessoal
Quando os núcleos do sujeito são verbos na forma nominal de infinitivo impessoal, a regra de concordância depende da estrutura:
- Se os infinitivos expressarem ideias opostas ou vierem precedidos de artigo, o verbo concorda no plural.
- Nos demais casos, algumas gramáticas aceitam a concordância no singular ou plural, e outras, apenas no singular.
- Encher o baldinho e esvaziá-lo ocuparam a tarde inteira da criança na praia.
- Empurrar e puxar a gaveta com força não estavam resolvendo o problema.
Infinitivos precedidos de artigo (verbo no plural):
- O falar e o escutar são igualmente importantes em uma conversa.
- O ganhar e o perder fazem parte do jogo.
Demais casos (singular ou plural):
- Comer bem e dormir cedo fazem diferença na disposição do dia a dia.
- Comer bem e dormir cedo faz diferença na disposição do dia a dia.
- Reclamar e não agir não resolvem nada.
- Reclamar e não agir não resolve nada.
Concordância verbal de verbos impessoais
Os verbos impessoais são invariáveis, ou seja, ficam sempre na 3ª pessoa do singular.
| Verbo | Exemplo |
| “Haver” com sentido de “existir” | Na Mata Atlântica, há muitas espécies de animais. |
| “Haver” com sentido de “acontecer” | Neste ano, haverá eleições. |
| “Haver” com referência a tempo | Há dez anos eu não ouvia essa música. |
| “Fazer” com referência a tempo | Já cheguei faz meia hora. |
| “Passar” com referência a tempo | Passa da meia-noite. |
| Verbos de fenômenos da natureza | Venta muito nesta cidade. |
Concordância verbal: exercícios
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Concordância verbal – exercícios
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Perguntas frequentes sobre concordância verbal
- Como é feita a concordância verbal com a expressão haja vista?
-
Em geral, a expressão haja vista permanece invariável, ou seja, no singular, independentemente do número do substantivo que a segue.
Por exemplo:
- O Congresso retirou a proposta, haja vista o grande número de protestos.
- Haja vista os últimos acontecimentos, decidimos adiar a reunião.
Algumas gramáticas normativas aceitam também, nessa expressão, a concordância do verbo “haver” no plural.
Por exemplo:
- Hajam vista as publicações do autor.
Nesse caso, considera-se como sujeito “as publicações do autor”, e o verbo “haver” concorda com ele.
Embora aceita por alguns gramáticos, o uso da expressão no plural, “hajam vista”, não é comum.
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- Qual é a diferença entre concordância verbal e nominal?
-
Concordância nominal e verbal são relações estabelecidas entre diferentes categorias gramaticais.
A concordância verbal é a relação criada entre o verbo e o sujeito da sentença no que se refere a pessoa e número.
Por exemplo:
- Laura e eu compramos uma casa.
Nesse exemplo, o sujeito “Laura e eu” determina que o verbo “comprar” esteja na 1ª pessoa do plural.
A concordância nominal é a relação que se forma entre o substantivo e os elementos que se ligam a ele.
Por exemplo:
- Joana considera os alunos muito espertos.
Aqui, o artigo “os” (adjunto adnominal) e o adjetivo “espertos” (predicativo do objeto) concordam em gênero e número com o nome “alunos”.
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- Como é feita a concordância verbal com o verbo parecer?
-
A concordância verbal com o verbo parecer pode ser feita de diferentes formas.
Quando o verbo “parecer” antecede um infinitivo, é possível flexionar qualquer um dos dois verbos.
Por exemplo:
- As flores parecem morrer.
- As flores parece morrerem.
O primeiro exemplo, com o verbo “parecer” flexionado, é o mais usual entre os falantes. A segunda opção, com o infinitivo flexionado, é menos comum e mais literária.
Quando “parecer” ocorre em uma oração desenvolvida, fica no singular.
Por exemplo:
- As flores parece que morreram.
Em alguns casos, a concordância verbal pode ser uma escolha estética. Coloque seu conhecimento em verso e experimente criar poemas de diferentes estilos com o Quillbot.
- Quais são os tipos de sujeito?
-
Os tipos de sujeito são: simples, composto, expresso, oculto, indeterminado e inexistente.
Exemplos:
Sujeito simples (apenas um núcleo)
- Maria foi a primeira a chegar.
Sujeito composto (pelo menos dois núcleos)
- Maria e Carla foram as primeiras a chegar.
Sujeito expresso
- Eles falaram muito sobre o novo projeto.
Sujeito oculto (não está expresso, mas pode ser identificado)
- Eles estão felizes. Falaram muito sobre o novo projeto.
Sujeito indeterminado (não está expresso e não pode ser identificado)
- Disseram que você gosta de poesia..
Sujeito inexistente (ou oração sem sujeito)
- Chove sem parar.
Para saber mais sobre os tipos de sujeito, converse com o Chat IA do Quillbot.
- Qual é a diferença entre sujeito e objeto?
-
Sujeito e objeto são elementos ligados ao verbo. A diferença entre eles pode ser:
Estrutural:
- O sujeito concorda com o verbo em número e pessoa; o objeto não precisa concordar com o verbo.
- Normalmente, o sujeito aparece antes do verbo e o objeto, depois.
Ou de significado:
- Em termos gerais, o sujeito é aquele que executa ou experiencia a ação descrita pelo verbo e o objeto é o elemento sobre o qual recai essa ação, complementando o sentido do verbo.
- A mulher abraçou a criança.
Nessa sentença, o verbo “abraçou” está flexionado na terceira pessoa do singular. O termo “a mulher” também está na terceira pessoa do singular, em relação de concordância com o verbo.
“A mulher” está antes do verbo e “a criança”, depois.
“A mulher” é quem abraça e “a criança” é quem é abraçada.
Portanto, “a mulher” é o sujeito e “a criança” é o objeto.
Se quiser aprender mais sobre conceitos gramaticais como sujeito, objeto direto e objeto indireto, pergunte ao Chat IA do Quillbot.
Fontes deste artigo
Recomendamos fortemente o uso de fontes confiáveis para todos os tipos de trabalhos escritos. Você pode citar nosso artigo ou explorar os artigos listados a seguir para obter mais informações.
Este artigo do QuillBotMiliorini, R. (22 de junho de 2026). Concordância verbal | O que é e exemplos. Quillbot. Acessado e 25 de junho de 2026, em https://quillbot.visionseotools.cloud/pt/blog/sintaxe/concordancia-verbal/
BECHARA, E. Moderna gramática portuguesa. 39. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2019.
CEGALLA, D. Novíssima gramática da língua portuguesa. 48. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009.
CUNHA, C.; CINTRA, L. Nova gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexicon, 2017.